Nome:
Danilo Bomilcar de Andrade
Data de Nascimento:
13/11/1987
Ficha criminal:
Nenhuma ocorrência
A vida é esquizofrenia aguda, não necessita um cachorro gigante numa história sem fim para torna-la mais fantasiosa do que é. Nela há um quê de incompreensão que nenhum anel élfico pode superar. Batalhamos guerras estelares todo dia no escritório ou na faculdade, estamos sempre sujeitos a feitiços e maldições de nosso coração e viajamos a passados, presentes e futuros toda vez que fechamos a janela e apagamos a luz de nosso quarto.
Este blog é destinado à fantasia que é a vida real. Pois estamos todos vivendo no País das Maravilhas, só temos que abrir nossos olhos...
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E se a polis me vem
-E então?
-Não...
-Não?? Como assim?
-Não, não quero amadurecer.
-Não quer...
-Não. Se amadurecer é isso, obrigado, eu passo.
(silêncio)
-Jovem, quero apenas seu melhor.
-Desculpe-me, mas tem uma idéia distorcida do que é melhor pra mim.
-Não quero vê-lo chorar. Ter seu coração partido... Acabar desiludido. Só isso. Não está preparado, é ingênuo demais, não pode ser assim diante do mundo.
-Não só posso como sinto que devo. Meu melhor é ser quem sou. Assim, nu. Sem essa armadura. Essa armadura que mais me parece uma camisa de força. Não quero escudo algum e abro mão dessa espada de dois gumes.
-NÃO SEJA CRIANÇA! IMATURO! ESCUTE O QUE EU DIGO. Você vai se machucar. Ninguém vai à guerra sem algo com o que se defender.
-Criança? Imaturo? Queres que eu me torne duro como pedra, frio como gelo polar. Duro... Por acaso a fruta madura é a rígida? Olho pela janela e vejo imensos pomares de frutas assim, duras. Insípidas. Maduras, me dizes... Digo o contrário: Verdes. O suficiente para quebrar-me os dentes.
-Se quer ser sonhador agora, não importa. É inevitável que acabe abrindo seus olhos. Moldá-lo-ei com o tempo. Por bem ou por mal. De tanto apanhar acabará com a pele tão dura quanto a armadura que você recusou.
-Quem sabe estás certo... Mas até que este dia chegue terei fé nos homens. Terei fé em Deus. Irei à batalha na linha de frente e com o peito despido.
-É preciso ir com mais calma... Desconfiar...
-Não encontrarás pensamentos céticos dentro de mim.
-Vai ferir-se! INSENSATO!
(silêncio)
-Darei minha cara a tapa............................. Ao oferecer a outra face, quem sabe, ganho um beijo.
Vamos lá... já que estamos intercalando prosa e poesia...
De rota traçada
Decepção
Com o eu confinado
Finado
dentro do meu
coração.
Diz o vento
que passa
Dê um passo
adiante
Ao passo
que ande
Isso passa...
De joelhos no chão
e areia nas mãos
Fito o caminho que segue
Meu corpo se ergue
Minha cabeça não.
Miragens
Fotografias: Imagens de nossa infância, de pores-do-sol, sorrisos... A poesia que encontramos na imagem de um novelo de lã jogado no chão... Atinge-nos em cheio, né?
Contudo, nós vemos isso todo dia! Estes mesmos objetos. Os sorrisos mais belos!!!
Por que é preciso estar impresso num papel Kodak para nos causar esse efeito?
Quero ir mais longe. No cinema. Pensem nos beijos... Nos dá sempre aquela pontada no coração ao assistirmos aquela cena do beijo apaixonado. Seja na chuva, no farol, no campo... Quanta gente cai em lágrimas em cenas assim. Mas se nos emocionamos tanto com tais cenas, que são apenas luzes projetadas numa tela branca, por que não choramos como bebês todas as vezes que beijamos a pessoa amada?
Se ainda na vida real estamos sujeitos a sons, cheiros, sensações, e o mais importante, nossos próprios sentimentos (não os de uma pessoa que conhecemos há meia hora de filme), por que não somos capazes de nos emocionar tanto como no cinema?
O fato é que ao fixarmos nossos olhos em uma foto, estamos confinando todos nossos pensamentos, sentimentos, sensações e emoções em um milésimo de segundo de mundo captado por aquela folha de papel. Ao apagar a luz do cinema todo movimento do protagonista, seja ele o mais trivial possível, é tratado com a maior das atenções. Dedicamos nosso espírito, eliminando a tela que há entre a platéia e o filme, o papel entre a vida real e o flash do passado, para desfrutar por completo aqueles segundos captados pela câmera.
Acho que se vivêssemos da maneira que assistimos a um filme, vivenciando cada momento com a intensidade, emoção e abertura do coração com a qual lidamos com fotografias ou com o cinema, esta (vida) seria insuportável. Milhares de emoções sem nome brotariam a todo instante, ao tomar um sorvete, ao encontrar um amigo, ao ouvir uma música. O coração exausto, ao fim do dia, suplicaria o letreiro pra poder descansar.
Não sei quanto a vocês. Mas, pensando agora, causa-me um certo desconforto a necessidade de uma tela branca para se viver de verdade...
(sem título... ainda)
Juro que era certeza antes,
Naqueles instantes.
O que eu mais queria
Naquele dia.
Mas anoiteceu e eu dormi naquilo,
Acordei e fui ouví-lo,
Meu espelho, espelho meu.
Ali em meu rosto vi exposto
Que aquela paz ficou pra trás.
Porque foi me perguntar de novo? Mandar voltar,
Pensar. Que estorvo! Não sabe como é difícil algo começar?
Queria tentar, ver se dava certo,
Mas agora não estou certo se acerto...
Quando o assunto é amor
Não existe certeza
Aí que está a beleza!
É destino ou é dor.
Você vai com a maré.
Você leva só a fé.
Assim, quem sabe, a sorte saia,
Mas com dúvida, sem dúvida, morre-se na praia.
Proferindo
Triste é o homem que é incapaz de viver junto ao silêncio. Bom, triste também são aqueles que devem conviver com este homem, não?
Não sei desde quando isto é fato, mas de fato aconteceu uma supervalorização da conversa contínua e incansável. De vasculhar as bobagens contidas no pensamento alheio.
Não que eu não dê valor a uma boa conversa, mas o desespero de certas pessoas é tanto que um dedo de prosa, seja ele o mindinho, pesa... Pesa muito. Vejo-me, certas vezes, rodeado de gente que, na inquietação de tentar suprimir o silêncio, age igual rádio velho.
Não só o constante falar é desnecessário, como há ocasiões em que um olhar, um toque ou um suspiro vale mais.
Acompanhado da solitude, o silêncio pode revelar exóticos, objetos de nosso cotidiano. As mesmas idéias iluminadas por outros ângulos. Para o criador, o silêncio é uma folha de papel sulfite pronta para se virar e desvirar. Dobrar-se um aviãozinho e voar.
O silêncio não é apenas a ausência de barulho. Nunca! Não se pode defini-lo apenas pela negação de outro conceito. Adão Myszak presenteou-lhe com uma ótima definição.
O silêncio é a mudez de todos os sons, a linguagem de tudo que não fala, é a voz eloqüente do infinito.
Concordo plenamente. Ao silêncio se deve respeito! Afinal, o que acompanhava Deus enquanto a Terra era sem forma e vazia e as trevas cobriam a face do abismo? Até que fossem proferidas as palavras HAJA LUZ, o silêncio era o verbo.
Versos de uma noite solitária
Amor, te senti ao meu lado
Num sonho em que quase te vejo.
A morte, sem ti ao meu lado,
É tudo o que mais desejo.
Precisa-se de lembranças
Não simpatizo com a filosofia dos bêbados adúlteros mas, com base científica e emocional, também sou do partido de que: O que não lembro nunca aconteceu.
O Rei estava errado. Ou quiçá deva apenas ser complementado. Não importa se emoções eu vivi. Se não as lembro, valem-me tanto quanto o sonho das noites cruas, esquecidos antes do banho das vinte pras sete.
E se as noites em que não lembro de meus sonhos são as mais rápidas, a pessoa cuja vida é curta não é a que morre cedo, mas aquela cujas lembranças também escorreram pelo ralo.
Agora sim, o que importa é que emoções eu vivi. Emoções encravadas na memória. Sejam estas boas ou ruins. Pois até o pesadelo vale o suor marcado no travesseiro.
Quero noites longas e mal dormidas. Aquelas em que as faixas de luz no meu teto, esquivadas pelas pequenas frestas da janela, se embaralham com o surreal desencaixe dos meus sonhos.
Quero fotos claras ou escuras, saudades de tempestades ou bonança. Lembranças, sejam estas doces ou amargas.
Precisa-se de lembranças